sexta-feira, 2 de maio de 2008

Ensinantes e aprendentes em modelos virtuais

A partir da identificação e compreensão das principais teorias da aprendizagem, podemos iniciar um processo de construção de uma base teórica coerente para estruturação de processos de ensino-aprendizagem. Consideramos, em especial, as contribuições das teorias cognitivas, devido ao fato de se mostrarem mais alinhadas aos pressupostos das propostas educacionais gestadas atualmente.

É fato de que nem todas as instituições de ensino seguem os pressupostos de uma mesma base conceitual, porém, considerando todos os aspectos presentes na educação contemporânea, acredita-se que as teorias cognitivas estejam mais condizentes com uma proposta de educação transformadora, que leve em conta a co-participação do educando em vistas a sua transformação enquanto sujeito social.

Assim, alinhando-se a propostas de uma linha construtivista de educação, a opção da modalidade de ensino deverá compartilhar dos mesmos pressupostos, uma vez que modelos presenciais podem ser perfeitamente reproduzidos em ambientes virtuais, conforme alerta Azevedo (2001).

Outro fator de grande importância na escolha da diretriz educacional a ser seguida, refere-se aos elementos do processo educacional e todos os aspectos inerentes à relação com e entre esses elementos. O aluno, o professor, o tempo, o espaço, os recursos, enfim, vários componentes deverão ter tratamento diferenciado, tendo em vista a proposta da instituição, visando coerência nas ações.

O aluno, elemento central do processo de aprendizagem, tem papel fundamental na construção do seu saber. Ele é participativo, integra-se ao grupo, opina acerca do seu processo de aquisição de conhecimentos, tem autonomia e proatividade.

O professor assume de fato uma posição de mediador entre o objeto do conhecimento e o aprendiz. Sua atuação é subsidiada pelo incentivo e acompanhamento do aluno, a partir de uma relação de troca de experiências, colocando-se em uma posição de “guia” diante do itinerário de formação do seu aluno.

Espaço, tempo, recursos e outros fatores, serão também visualizados, a partir de uma nova ótica, mostrando-se mais eficientes enquanto meios que deverão estar à disposição dos sujeitos do processo de ensino-aprendizagem a fim de que estes alcancem seus objetivos. Os modelos educacionais, enfim, devem passar de maneira global por uma reestruturação, condição esta para que a proposta educacional tenha coerência e a instituição possa, consequentemente, colher os resultados esperados com as mudanças.

Tratando-se especificamente de propostas educacionais em ambientes virtuais, a necessidade de uma adaptação do currículo e um repensar constante acerca das prerrogativas de cada corrente educacional, explicita a predominância das teorias cognitivas, uma vez que estas pressupõem um modelo educacional, cujas características tornam-se indispensáveis nessa modalidade de ensino e aprendizagem.

Nesse sentido, a aprendizagem virtual nos moldes construtivistas deve necessariamente considerar uma reelaboração dos modelos mentais, não apenas pela teoria educacional que a sustente, mas também pelas peculiaridades da educação a distância. Assim, é necessário todo um “aculturamento” em relação ao mundo virtual, permitindo que alunos e professores sejam alfabetizados em novos códigos de comunicação e conduta.

Portanto, vislumbramos novos caminhos para a aprendizagem em ambientes virtuais, sempre prevendo escolhas bem fundamentas em bases conceituais e que mostrem coerência direta com um projeto pedagógico previamente pensado e estruturado. Afinal, não é porque estamos propondo um ensino em uma outra modalidade, que não a presencial, que devemos agir com menos responsabilidade, embasamento, discernimento, ousadia; enfim, nossas propostas educacionais devem ser eficientes, independente do espaço-tempo em que acontecem.

Referências:

  • AZEVÊDO, Wilson. Muito além do jardim de infância: o desafio do preparo de alunos e professores on-line. [Acesso em 06 Fev. 2001]. Disponível em: <http://stprj.br/abed/99.html>.

  • GONÇALVES, I. Comunidade cooperativa de aprendizagem em rede. Boletim Técnico do Senac, RIO DE JANEIRO, V. 32, N. 2, maio/ago., 2006.
  • SENAC, Centro de Produção de Radio e Televisão, Divisão de Operações- Senac Nacional. Curso de Especialização em Educação à Distância: E-book. Rio de Janeiro: CTEAD, (s.d.). CD- ROM.

Nenhum comentário:

Postar um comentário